Vamos no boteco, só que não

Quando eu ouvia que os hormônios deixavam o emocional das gravidinhas abalado, que a energia mudava e que a vida ia ter que mudar, eu achava isso tudo bobagem e que não era BEM assim. Mas, já aprendi que a vida materna é cheia de cuspes pra cima, né minha gente. O primeiro trimestre da minha gravidez foi um período, digamos assim, totalmente maluco. Cheio de mudanças emocionais, físicas e principalmente da Carolina em si.

Pra começar não é fácil ver a vida mudar da noite pro dia, principalmente como casal. Vamos nos situar: antes de engravidar nossa vida era típica de casal em começo de vida conjugal. A gente saía muito, vivia recebendo amigos e o planejamento do fim de semana durava a semana toda, afinal tinha que dar pra ver todo mundo e participar de tudo.

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A gente era um casal da galera. Ao mesmo tempo, a nossa vida já era diferente dos nossos casais de amigos mais próximos, que dirá dos amigos solteiros. Ninguém morava junto, ninguém dividia contas, enfim, ninguém era casado. Aí eu descobri que tava grávida, ficamos mais diferentes ainda e imediatamente pensei: “Ok, algumas coisas vão mudar, mas não quero deixar de ser sociável e deixar de participar das coisas”.

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Então, a Carol mudou. Eu não tava afim de receber ninguém, de ir a lugar algum, e achava insensata a minha participação em alguns tipos de eventos. Não me entendam mal, eu não parei de gostar dos meus amigos ou queria me tornar antissocial, mas o corpo funciona em outro ritmo e o auê não condizia com o que eu tava vivendo. Tudo isso causou um desencontro de ideias e convicções entre a gente.

Na época eu ainda tava trabalhando, então acordava cedo, chegava em casa às 20h30, e dava tempo de comer alguma coisa, tomar banho e eu tava mortinha da silva. Fim de semana então, eu queria ver filmes, talvez dar uma volta por aí e voltar pra minha caminha adorada antes que eu dormisse em pé em qualquer lugar antes da meia noite. A vida de grávida é vida de Bela Adormecida, principalmente no começo. Abençoadas as que sobrevivem até a madrugada.

Ao mesmo tempo, pro Jaciel a mudança era mais lenta e completamente diferente da minha. Ele não tinha nada físico mudando, e continua não tendo. Essas mudanças são todas minhas. Então, como faz pro marido e todo mundo entender que ficar até às 5h de papo pro ar não é mais tão fácil assim? Como faz pra todo mundo ver que eu não tô no clima de sentir bafo de cerveja e quero distância do cigarro alheio?

Não faz. Ainda mais quando o teu grupo de amigos ainda não chegou nesse momento da vida. Mais ainda, tu tá grávida mas não tem barriga, eu enjoava, mas não muito. Eu tava visivelmente “normal” pra todo mundo. Pro pai, pro marido é difícil também, hoje eu consigo ver com mais clareza, mas na hora é tudo muito intenso e por isso a gente teve algumas várias discussões sobre “como a vida ia mudar, precisava mudar e não só pra mim”.

Quando a gente descobre que tá grávida o sentimento materno é instantâneo, eu comecei a cuidar o que ia comer, parei de beber, tentava descansar o máximo possível, eu já era mãe, eu já tava cuidando do meu bebê. Ainda não sentia ele mexer, mas eu sabia que ele tava ali, eu sentia ele, não fisicamente, mas sabia que eu não era uma só. Pro homem tudo isso é muito abstrato, afinal, por fora tá tudo igual com a mulher e se já é difícil pro homem entender os nossos sentimentos e emoções normalmente, imagine entender e lidar com um constante estado de “TPM”. Não é que ele rejeite o filho, rejeite a nova vida, é que essa nova vida ainda não tomou forma no mundo real, mas vai explicar isso pra mim alguns meses atrás…

Com o tempo, a barriga foi aparecendo, as ecografias mostravam um mini bebê, ele já era uma pessoinha e sim, ele vinha pra ficar com a gente pro resto da vida, ele vinha fazer da gente muito mais do que o casal Carol e Jaciel. Com isso as coisas foram ficando visíveis pra nós dois. De repente toda aquela choradeira, sensação de incompreensão, discussões babacas sobre ir ou não ir em tal lugar, tudo isso sumiu. O que era teoricamente senso comum pra mim, passou a ser senso comum de fato.

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É preciso ter paciência, é preciso abrir mão do controle das coisas, e é preciso ouvir um ao outro. Enfim, tem que retomar a parceria em um formato novo e diferente do que existia antes.

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Além disso, eu voltei ao normal, ou quase isso. O que era impossível antes, como ficar acordada e bater um papo, por exemplo, voltou a ser bem possível, prazeroso e deixou de ser um problema. Existe um meio termo na nossa vida agora, e mais ainda, existe pra todo o resto do mundo nós dois como um casal com filho, e eu sou finalmente um ser grávido e barrigudo de fato e assim fica bem mais fácil pra todo mundo me entender.

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One thought on “Vamos no boteco, só que não

  1. Aqui em casa, você já sabe, foi exatamente igual, só ao passo que a barriga foi crescendo eu fui cansando ainda mais da “vida social” e cada vez mais preferindo a minha caminha do que festas e reuniões. O Marcos agora está entendendo um pouco melhor isso. Engraçado que antes do Miguel era sempre ele quem queria ficar em casa (pois sempre trabalhou muito) e eu a rueira. Mas enfim, nós vemos tudo isso como uma mudança muito positiva. Nosso companheirismo só aumentou ao longo desses quase sete meses, assim como nosso amor, que é cada dia mais intenso. Somos agora mais que namorados, mais que marido e mulher, somos cúmplices de uma causa única, nosso bebezinho que logo logo vai estar aí enchendo ainda mais nossa vida de alegrias!!

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