Pra que dia é?

A gestação gera muita curiosidade, não só nos pais, mas em todos que convivem com eles. É um turbilhão de expectativas e curiosidades, primeiro quer se ouvir o coração, depois saber o sexo, saber com quem se parece e finalmente, que dia ele chega. Com a quantidade de tecnologias que temos hoje, é fácil matar a curiosidade antes dos nove meses.

Por essa razão, pode ser que para maioria das pessoas saber o dia certo do nascimento do Arthur seja quase uma regra. Bastou eu descobrir que estava grávida para a perguntinha acima aparecer em meio as conversas. Agora que me aproximo do último mês, tenho que responder quase que diariamente.

“Mas Carol, essa perguntinha é tão inofensiva, eu só queria saber, afinal, não é comum saber o dia que o bebê vai nascer?”. Pois é gente, é tão comum, tão recorrente, que penso que a maioria das pessoas pergunta sem refletir muito sobre o assunto. Acontece que essa perguntinha é bem mais complicada do que parece, e ela é o retrato de uma realidade bem triste. Essa perguntinha, merece esse selo aqui ó:

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Pra começar: não, pra mim, saber o dia que o Arthur vai nascer não está nos planos, nem sequer está ao meu alcance. Sim, existe a famosa data provável do parto, mas ela não é certeira, só indica quando o bebê completa as 40 semanas, e mesmo assim, pode estar errada. A questão é que essa pergunta não é tão simples e inocente, ela é comum por ser equivalente ao número excessivo de partos cesáreos desnecessários e eletivos que ocorrem todos os dias no Brasil. Afinal, quem aí não teve uma amiga, uma tia, uma prima, conhecida, que sabia dizer a hora e o dia do parto e tava lá toda linda e loira chegando faceirinha no hospital?

É fácil, não precisa ir muito longe. São tantas cesáreas marcadas com meses de antecedência que realmente fica fácil de entender a aberração que me torno cada vez que digo que não tenho data, porque meu parto será natural, tudo ao tempo do Arthur.

“Como assim, não é cesárea? Acho melhor marcar hein, se organizar melhor, imagina a correria”, “Parto natural? Que bicho é esse fia?”, “Uma vizinha teve parto normal, teve hemorragia, o bebê nasceu roxinho roxinho, tinha passado da hora pobrezinho”, “Mas vaginal? Cuida amiga, dizem que fica tudo largo lá embaixo, por isso tem tanta mãe solteira por aí”.

Pera lá suas linda! Eu achava que a gente nascia pela perereca e vocês tão dizendo que eu tô hippie. Só porque eu quero sentir meu filho chegar, ajudar ele a chegar, pegar ele no colo imediatamente, só porque eu quero tá acordadinha linda e ativa nesse momento, não quero ninguém me chamando de mãezinha, mandando eu ficar de um jeito que eu não quero e me cortando sem necessidade? Só porque quero o melhor pro meu bebê, que ele esteja totalmente pronto pra começar sua vidinha aqui fora? Poxa vida!

beautiful water birth photo

Queria entender em que momento nascer por via abdominal, em um processo cirúrgico, com dia e hora marcada, virou também sinônimo de parto normal. Não só isso, queria entender, quando foi que o normal passou a significar estar presa no “sorinho”, receber anestesia e fazer força deitada. Quando foi que essa quantidade enorme de mulheres passou a ser considerada incapaz de parir, ou ainda, quando foi que essa quantidade enorme de bebês começou a chegar ao mundo com tanto “defeito”. É bebê que passa da hora, mãe pequena demais, não tem quadril suficiente, o bebê é muito grande. “Vixi não vai dar”. São tantas as razões e desculpas infundadas que me pergunto porque exatamente, até agora, ninguém questionou se a nossa raça não tá mesmo em extinção. Porque até onde eu sabia, nascer sempre foi um processo natural, fisiológico e comum na raça humana, como é que fazia antes dessa parafernália toda? Sempre teve médico no mundo? Tô confusa, ajuda eu?

Pois é, dá pra contar nos dedos o apoio que recebo quando falo do assunto. Acho até engraçado, justamente porque quem começa o assunto parto, em geral, não sou eu, é a pessoa que vem me perguntar, mas quando eu decido falar sobre como será o meu, e dou continuidade ao assunto explicando meus motivos fazendo os questionamentos acima, e por fim, declaro que cesárea só se for realmente necessária, me torno desinteressante, maluca, hippie, e por vezes, irresponsável.

Então pra acabar logo com isso, espero que a gente se entenda daqui pra frente e pare de fazer a perguntinha pra outras mamães por aí. O Arthurzinho tá chegando, na hora dele, mamãe e papai tem uma equipe maravilhosa que conta com um obstetra, uma enfermeira e uma doula, todos engajados na humanização do parto, e que nos dão muita confiança e a certeza de que farão o possível pra que os nossos desejos pra esse momento único sejam ouvidos e atendidos, e claro, quando esse dia finalmente chegar, a gente promete que avisa todo mundo. Por enquanto, ele ainda tá bem feliz no parque aquático da mamãe, esperando que ninguém apresse ele pra sair de lá, beleza?

The Voice Arthur

Cantoria aqui em casa era só com a música alta o suficiente pra que as nossas vozes não fossem realmente ouvidas. Mas desde que soubemos que o Arthur nos ouve com clareza, a cantoria e a falação têm rolado solta ao pé da barriga.E posso afirmar com certeza que o pequeno adora.

Quando o papai chega em casa e conversa com ele na barriga, por mais quietinho que ele esteja, começa a movimentação faceira dentro da barriga, só quem não fica muito contente às vezes são as minhas costelas, mas isso é o de menos.

A gente sempre soube que era importante cantar pro pequeno e conversar. No início eu me sentia meio esquisita, mas com a movimentação de “resposta” esqueci essa bobagem de vergonha, que acredito, não faz parte do universo materno. Aliado a isso, essa semana eu vi um vídeo muito legal de uma doula, a Penny Simkin, falando sobre a importância desse contato entre os pais e o bebê. No vídeo ela mostra como as músicas que se tornam familiares para o bebê no período de gestação ajudam a acalmar e confortar os bebês recém-nascidos. É lindo:

Decidi ir atrás de mais coisas sobre o trabalho da Penny Simkin e encontrei um artigo publicado por ela que explica melhor sobre os benefícios da cantoria para os bebês na barriga. Ela também dá dicas bem legais para os pais que desejam estar em contato com o seu bebê ainda no útero, esse trechinho do texto eu compartilho aqui com a minha tradução livre:

“À luz de tudo o que sabemos sobre os bebês, tivemos a oportunidade de criar uma abordagem simples para acalmá-los, melhorar a ligação entre eles e os familiares e capacitar os pais com uma ferramenta única que ninguém, até mesmo os especialistas, podem usar tão bem quanto eles. Eu proponho que nós, que oferecemos cuidados e educação para os futuros pais, façamos o incentivo para que eles comecem a usar essa prática em torno das 30-32 semanas de gestação, quando a audição do bebê já está completamente desenvolvida.

Alguns passos simples para cantar para o bebê no útero e após o nascimento:

1. Escolha uma música que você goste e que seja fácil para você cantar. Pode ser uma canção de ninar, mas não precisa ser necessariamente uma canção infantil. Ela pode ser uma de suas músicas favoritas ou até mesmo alguma que esteja bem popular.

2. Cante essa música todos os dias. Ambos os pais podem cantar juntos, mas cada um de vocês também deve cantar sozinho a maior parte do tempo. Instrumentos musicais também são bem vindos para acompanhar as vozes, mas é legal cantar também sem o auxilio deles por um tempo.

3. Quando o bebê nasce, após a compensação inicial do pulmão e o choro do bebê, cante essa música para ele. O bebê pode estar em seus braços ou com uma enfermeira no aquecedor. Se o seu bebê está chorando, tente cantar perto de seu ouvido ou alto o suficiente para que ele escute pelo menos durante a pausa para tomar fôlego.

4. Continue cantando todos os dias, especialmente durante períodos em que o bebê está chorando (e quando ele já tenha sido alimentado! Não use a canção como um substituto para a alimentação)

5. Cante durante o banho ou a troca de fraldas seu bebê, como forma de acalmá-lo. Também cante para ajudá-lo a dormir.

6. Cante quando o bebê está chateado e você não pode pegá-lo imediatamente, como quando você está dirigindo e não pode parar ou tirar o bebê do assento de carro. Cante durante uma consulta médica na qual algum procedimento doloroso precise ser realizado, como uma injeção, por exemplo.”

Aqui já é tempo de The Voice Arthur:

Chá de fralda: o que teve?

Então gente linda, no domingo foi meu chá de fralda, ou melhor, o chá de fralda do Arthur. Reuni muitas amigas e a mulherada da família, foi lindo lindo, e confesso que eu não tava esperando nem a metade da diversão que foi.

Pra começar, nada teria sido tão maravilhoso e possível se a minha mãe, vulgo, super vovó não tivesse ajudado a organizar tudo. As dindinhas do Arthur, Larissa e Paeni também ajudaram bolando as brincadeiras. Fora toda a mão familiar no dia pra fazer tudo dar certo, cada um fez um pouco. Até o Jaciel entrou na roda fazendo a âncora com o nome do Arthur e me ajudando um dia antes a fazer os barquinhos de papel que enfeitaram as mesas, até às 2h da manhã.

O chá teve a decoração toda inspirada nos marinheiros, na verdade esse é o tema geral do quarto do Arthur que ainda estamos montando. Na hora de brincar ao invés de ficar adivinhando os presentes, pedi pra que cada convidada levasse uma foto sua de criança sem identificação. Eu só vi as fotos na hora e tinha que adivinhar quem era em cada foto, a cada erro eu era pintada ou ganhava um novo acessório. A brincadeira rende boas risadas e acho que tirou um pouco aquele tédio de ficar adivinhando presente, que é sempre legal no início, mas depois todo mundo parece ficar meio de saco cheio, além disso, eu tinha pedido só fraldas.

O Jaciel também fez uma “cervejada futebolística de fralda” no mesmo horário do meu chá, reuniu os amigos e a parte masculina da família em quadra de futebol onde fizeram um churrasco.

Em ambos os “chás”, como eu disse antes, pedimos somente pacotes de fralda, mas acabei ganhando também várias roupinhas e outras coisas super legais e mega úteis (todas comemora!). Ainda não contabilizei tudo, mas creio que a gente só precise comprar fralda quando o pitoco completar um ano de vida. Por enquanto, o quarto onde é o nosso escritório/depósito de bugigangas tá tomado pelo cheirinho de fralda, limpas ao menos, hehehe.

Pra colocar a cereja no bolo, a linda Kati Wichinieski, minha colega de yoga e amiga, que também está gravidinha esperando o pequeno Guilherme, fez um registro maravilhoso desses momentos, que compartilho agora aqui no blog. Quem quiser conferir mais do belíssimo trabalho fotográfico dela e do marido, o Bruno Gomes, é só acessar a página deles no facebook.

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

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Foto: Kati Wichinieski

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Foto: Kati Wichinieski

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Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

Foto: Kati Wichinieski

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