Mamilos são polêmicos

Na primeira vez que vi esse vídeo achei que o menino era non sense. Onde já se viu mamilos serem polêmicos hoje em dia? Tantos anos de transmissão de carnaval, tantos peitos de fora nos filmes, nas novelas, no programa de domingo a tarde pra família toda assistir…

Pois bem, nessa semana o jornal Pioneiro, do Grupo RBS, publicou uma matéria sobre regras de etiqueta nos shoppings de Caxias do Sul. Entre elas, uma regra fez dos nossos mamilos um assunto muito polêmico:

Quem já não viu uma mamãe oferecendo o peito a um bebê na praça de alimentação ou em um banco nos corredores? Para quem não sabe, os três principais shoppings de Caxias do Sul — Iguatemi, Estação San Pelegrino e Prataviera — não permitem essa prática, recomendando às lactantes que usem os fraldários.”

Peitos são peitos, mamilos são mamilos, não interessa se você os usa pra alimentar seus filhos. Não importa que a Organização Mundial da Saúde indique aleitamento exclusivo até os seis meses de idade, e que as crianças devam continuar sendo amamentadas até, pelo menos, dois anos de idade. Não, isso não interessa. No shopping, amamentar nem pensar! Imagine só, deixar que um ato tão natural quanto a amamentação aconteça aos olhos de todos? Um bebê se alimentar no seio da mãe é um absurdo sem tamanho pros grandes gestores das redes de shoppings caxienses. Opa, desculpem, não foi isso que eles disseram: poder pode, bem escondidinha no fraldário junto com o cheirinho e as bactérias de todos os dejetos dos bebês. Afinal, quem aqui não come no banheiro, né gente?

Tá cada vez mais difícil ser mamífero. Tá cada vez mais difícil ser bebê e ser criança. É tanto não pode: não pode nem comer em paz, curtir a mamãe, curtir o leitinho, aquele cheirinho de vida que sai direto do peito da mamãe. Ah! O peito da mamãe! Aquele que aparece na hora certa, quando os bebês acham que estão, literalmente, morrendo de fome.

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Atitudes como essa contribuem para um problema de saúde pública, passam a mensagem de que amamentar não é natural, amamentar pode ser constrangedor.  Fazer isso é dizer que ninguém é obrigado a ver o seu filho com a boca no seu peito. É pornografia! Fazer isso é privar o bebê de receber na hora que deseja o seu alimento. Não existe “espera um pouquinho que a mamãe vai se esconder pra te alimentar” quando se trata de um bebê. Apesar de todas as semelhanças maravilhosas que temos com os outros mamíferos, existe uma diferença gritante, que é a dor e a graça do ser humano: somos seres sociais. Privar a amamentação é excluir a mãe e o bebê do convívio social. Essa é a razão pras mamadeiras fazerem tanto sucesso, afinal elas não tem mamilos. Elas não ofendem ninguém, elas não fazem parte do nosso corpo, elas não tem alma, não estabelecem conexão, nem o amor. Ao que tudo indica, pra ser aceito socialmente é preciso reprimir o amor. Melhor cortar logo pela raiz: acabem logo com o amor de mãe! Acabem logo com a amamentação, com os nascimentos!

Desculpa senhor gestor de shopping se estou parecendo radical demais, mas lá no fundo é isso que você quer dizer, quando por trás da sua grande e larga poltrona preta “convida” uma mãe a se retirar dos corredores por OUSAR alimentar seu bebê. Com toda licença, o senhor é um criminoso social. Boicotar a amamentação é contribuir para um problema de saúde pública que há tantos anos tentamos combater. Mas quem se importa, não é? A única coisa que importa é que amamentar envolve mamilos e eles são polêmicos.

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Ele tem G6PD

– Alô é a Sra. Carolina?

– Sim é ela, quem fala?

– Aqui é a fulana, do laboratório tal, eu estou com o resultado do teste do pezinho do seu filho, o Arthur.

– Ah sim, estou tentando acessar pela internet e não consigo ver o resultado.

– Pois então, o resultado apontou uma deficiência, nós vamos precisar refazer um dos testes pra confirmar e só então vamos poder liberar o resultado.

– Que deficiência???

– Eu não posso estar informando pra senhora, o teste é o G6PD, a senhora pode entrar em contato com o seu pediatra pra que ele explique melhor.

Meu mundo caiu, ali naquela hora, só consegui desabar e olhar meu filho que se mexia faceiro dentro do carrinho. Não sabia o que era o tal teste G6PD, nunca tinha escutado falar, só sabia que meu filho tinha uma “deficiência”. Olhava pra ele e não fazia sentido, com um pouco mais de uma semana de vida ele me parecia um bebê normal.

Queria matar a moça do laboratório. “Como assim, liga pra mim, diz que meu filho tem uma deficiência e não me explica nada, na maior frieza e falta de noção”. Ao mesmo tempo saí pesquisando sobre o tal G6PD, na hora do desespero, nenhuma informação parecia fazer sentido pra mim. Até que li “as vezes acusa quando o bebê está amarelinho na primeira semana, pode ser que quando repita o exame dê outro resultado”.  Arthur tinha ficado amarelinho na primeira semana, o teste de bilirrubina não chegou a ser tão alto a ponto que ele precisasse de fototerapia, tratamos com banho de sol.

Me tranquilizei, no mesmo dia refizemos o teste. O resultado sairia no dia 26 às 18h. Nesse dia pontualmente tentei acessar os resultados e não consegui. Não consegui também no dia seguinte, nem depois e depois. Briguei com o laboratório, rodei a baiana, até que me ligaram avisando que eu poderia ir buscar o resultado lá.

Hoje eu fui, sozinha com o Arthur. Peguei o envelope e vim pra casa, com medo de abrir. No caminho, angustiada, fiquei lembrando do momento em que eu o vi pela primeira vez, e como uma boba, contei os dedinhos dos pés e das mãos, como se aquela fosse a minha certeza de que tava tudo bem, tudo saudável.

Conversei com o Jaciel, disse que tava com medo de olhar, até que ele me convenceu, abri o envelope e tava lá o resultado que eu não queria ver. O número era baixo e não ficava entre os valores de referência. Ainda sei muito pouco sobre G6PD, sei que perto de tantas outras complicações que existem, a G6PD é moleza. Ao mesmo tempo, não deixo de me sentir sem chão.

Tudo o que eu sei é que a G6PD é uma deficiência enzimática, a mais comum no mundo, que afeta cerca de 400 milhões de pessoas. A G6PD é uma enzima presente em todas as células, e tem como finalidade auxiliar na produção substâncias que as protegem de fatores oxidantes. Ao contrário das outras células, os glóbulos vermelhos dependem exclusivamente da G6PD para esta finalidade. A deficiência pode ser encontrada em até 20% da população na África, entre 4% e 30% nas populações do Mediterrâneo, e no sul da Ásia. No caso, eu tenho descendência africana. A doença é genética e já foram identificadas mais de 440 variações do gene da G6PD, que está localizado no cromossomo X. Como os homens têm um cromossomo X e um cromossomo Y, um único gene anormal no cromossomo X herdado da mãe provoca a deficiência de G6PD.

Na prática, quem tem  deficiência de G6PD leva uma vida normal, tem seu desenvolvimento normal, mas precisa evitar determinados medicamentos, como a aspirina, sulfonamidas e quininos, alguns alimentos, como o feijão de fava, a soja e alguns corantes. Assim como quem tem alergia a alguma coisa. Quem tem G6PD pode não apresentar nenhum sintoma caso essas substâncias sejam evitadas, é como se elas fossem o gatilho pra doença, se utilizadas podem causar estresse oxidativo nos glóbulos vermelhos, que não tem a defesa da enzima, resultando em uma crise hemolítica (anemia) e icterícia (o caso do Arthur, logo que nasceu ele tomou vitamina K no hospital, que é dada pra todos os bebês, a vitamina K é uma dessas substâncias consideradas gatilhos). Além das substâncias, infecções bacterianas e virais também podem causar o aparecimento dos sintomas. Ou seja, toda a alimentação e a vida do Arthur vão precisar de um cuidado extra, dependendo do nível da deficiência enzimática dele (que a gente ainda não sabe qual é), pegar uma gripe ou tomar o medicamento errado pode gerar uma complicação muito grave. A lista de medicamentos e alimentos com essas substâncias é bem extensa, os alimentos me preocupam mais, afinal quase tudo tem corante e soja. Já a partir de agora, toda a minha alimentação vai ter  que ser diferente, evitando essas substâncias pra que nada passe pelo leite.

Apesar de já ter um pouco de informação, ainda não sei dizer como eu tô lidando com tudo isso, ainda não sei se entendi muito bem do que se trata. Só sei que meu dia acabou hoje, olho pro meu bebê e tenho vontade de chorar, me sinto culpada por ter “passado” esse maldito gene pra ele, embora eu saiba que isso é inevitável e não é minha culpa, está totalmente fora do meu alcance. Sempre ouvi minha mãe dizer que tinha o coração batendo fora do corpo, e a sensação é exatamente essa, quero proteger ele mais do que qualquer coisa no mundo. Coração de mãe sofre.

Ao mesmo tempo que me sinto triste e arrasada, eu sei que nada disso vai mudar o resultado, o que pode mudar alguma coisa agora é a minha força, a minha coragem, e a busca pelas informações. Quero saber tudo e mais um pouco sobre G6PD, quero decorar a tal lista de substâncias pra que nunca na vida dele ele passe por uma dessas crises de anemia.  Liguei pra praticamente todos os hematologistas de Porto Alegre, essa semana vou conversar com alguns deles e espero entender melhor do que se trata. Amanhã, temos consulta com a pediatra, espero que de lá eu já saia com mais informações do que tenho agora.

Se alguém tem filho com G6PD, ou conhece outras pessoas que passem pela mesma situação, por favor, entrem em contato comigo. Quanto mais ajuda e informações sobre o que fazer e como é a vida das crianças que tem, vai me ajudar muito.

Tô viva!

Apesar da aparência de zumbi, eu tô viva! Tava morrendo de saudade de escrever aqui, acontece que fazer isso com uma mão só não está sendo fácil, fora a dificuldade de sair do completo estado de hipnose que eu fico vendo meu filhote.

Fiquei muito feliz com a repercussão do meu relato de parto, tentei lembrar de cada detalhe pra que ele pudesse ajudar outras mulheres e trazer cada vez mais o parto natural pras nossas rodas de conversa. Por mais que eu sempre tentasse falar sobre o assunto durante a gravidez, nada como a própria experiência pra chamar mais atenção pro tema. Desejo que todas as mulheres do mundo vivam um parto natural e com respeito, é uma experiência que muda a vida, posso afirmar com toda a certeza que a minha relação com o Arthur e com o Jaciel não seria a mesma se não tivéssemos juntos vivido esse parto, fomos ao encontro um do outro.

Além de tudo isso, escrever o relato foi de uma emoção enorme e eu leio ele e assisto o vídeo sempre que posso mais uma vez pra reviver toda aquela experiência, é como se toda aquela ocitocina voltasse a circular no meu corpo. ❤

Enfim, o post hoje é pra contar como está sendo o dia a dia por aqui e dar uma atualizada geral. Já faz uma semana que o Jaciel voltou a trabalhar e desde então tem sido eu e Arthur, Arthur e eu, juntinhos! Passei o tempo todo que o marido tava em casa morrendo de medo de ficar sozinha com o baby, tava bolando mil planos pra conseguir me virar em mil e conseguir dar jeito em tudo.

E aí que eu errei, errei rude. Não tem como ser Mulher Maravilha e tentar dar um jeito em tudo.

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No fim das contas, deu tudo certo, por mais que a gente ache que não, a gente sabe sim o que fazer com o próprio filho. O Arthur passa literalmente o dia todo pendurado na teta, eu acho ótimo, adoro amamentar, não controlo as mamadas dele e não pretendo substituir meu seio por um bico (assunto pra um próximo post, prometo!), então, é preciso ter paciência, aproveito quando ele dorme pra dar um jeitinho nas coisas que são mais urgentes, tipo lavar as roupinhas dele, ajeitar o quarto, etc.

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Como disse, não tem como dar conta do bebê, de ti e da casa, um conselho é não perder tempo pensando nisso e encanando com visitas que vão ver a casa fora de ordem, por aqui os amigos e a família já sabem, vai estar tudo bagunçado e eu agradeço muito uma lavada na minha louça, rs.

Passado o pânico de “MEU DEUS COMO AS MULHERES DO MUNDO CONSEGUEM VIVER CUIDANDO DE SEUS FILHOS E DA CASA”, as coisas ficaram melhores. A cada dia o Arthur se desenvolve mais, agora percebo que ele já tem uma rotina própria, isso facilita muito porque já sei mais ou menos os horários que vou conseguir almoçar com calma (e com as duas mãos), por exemplo. Durante o dia consegui fazer com que ele durma no carrinho, antes ele só dormia no colo e eu ficava mais presa. De noite, continuamos compartilhando a cama e estamos dormindo cada vez melhor, os três. De manhã quando o Jaciel sai pra trabalhar, o Arthur acorda pra uma mamada e depois eu ele voltamos a dormir, bem coladinhos <3. Essa dormidinha da manhã tem dado uma boa recarregada nas minhas energias. Acho que dormia umas três horas todos os dias, acontecia de acordar pra amamentar na madrugada e não conseguir pegar no sono profundo depois.

Outra alegria é que ele tem se interessado por alguns brinquedinhos, o móbile que ele tem no berço ajuda com que ele fique ali um pouquinho acordadinho, o ginásio com os móbiles é outra preferência dele, fica acompanhando tudo com o olhar, nos últimos dias ele até tentou se coordenar pra tocar nos brinquedinhos, e eu: QUÁMORRI de emoção.

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Fora isso, ele adora que eu fique falando o tempo todo, o tempo que ele fica acordado sem estar mamando tá um pouco maior e ele exige interação, o que eu adoro e acho demais, se paramos de falar com ele, ele dá umas resmungadinhas. Tô me sentindo aquelas “dance moms” toda orgulhosa das pequenas façanhas do filho, mas ai gente, ELE É DEMAIS!

Com essa rotina boa que conseguimos, agora acho que consigo retomar o blog – até que uma nova fase chegue e tudo vire de ponta cabeça. Tenho uma dificuldade de falar de várias coisas em um mesmo post porque gosto de dar atenção adequada aos assuntos e explorar o máximo que eu puder, por isso prometo retomar coisas que falei aqui, só achei que antes de começar a falar de coisa por coisa precisava dar uma atualizada geral em tudo.