Adeus Ano Velho, maravilhoso. Feliz Ano Novo, sensacional!

Passa ano, chega ano. Por 23 anos da minha vida nunca uma virada foi tão especial. Não falo da virada que está por vir logo amanhã, falo da virada passada. Naquele adeus 2012 eu já tinha o Arthurzinho na minha barriga, só uma sementinha, sem nome, o bebê. Foi uma virada em que prendi a respiração, como uma criança que vai pular na piscina pela primeira vez, sabe que aquele arrepio e o friozinho na barriga trazem algo de bom.

Me despedi. Não só de um ano, me despedi de alguém. Tchau Carolzinha! Você nunca mais será a mesma, muito menos inha. Em 2013 eu cresci. Cresci saindo do salto, colocando o pé no chão, cresci pra frente junto com o meu barrigão. Cresci pra dentro, nunca imaginei que tinha tanto espaço pra crescer, pra absorver tantas emoções. Me conheci de verdade, aprendi a gostar mais de mim, a me amar, a amar. Amei como nunca, amo como nunca.

Não está sendo fácil me despedir do ano que mudou a minha vida. O ano em que completei minha família. O ano em que vivi o dia mais sensacional da minha vida. O 2013 em que eu pari, na madrugada do dia 1º de setembro a minha razão de viver. Eu me apaixonei de novo, redescobri o amor que eu já tinha pelo meu marido, como esse carinho cresceu, se transformou. É muito louco viver com o produto de um amor, ver ele crescer por 9 meses e nascer, ver finalmente a mistura que só o mais puro amor pode realizar.

Em 2013 eu aprendi a lidar com a ansiedade, foi o ano em que eu mais esperei na minha vida. Logo eu que nunca fui muito de esperar, nunca fui a rainha da paciência muito menos aquela que abre mão do controle. Não foi fácil viver o ano da montanha russa, aquela das emoções. Tantos humores em tão pouco tempo. O ano do equilíbrio perfeito entre a adrenalina e a ocitocina.

Depois de 2013 nada nunca mais será igual. Talvez todos os anos sejam diferentes uns dos outros, mas me deixem, deixem eu me despedir com saudosismo. Depois de 2013 eu tenho a certeza absoluta de que agora tudo tende a melhorar. Não tem como ser infeliz depois de 2013, não tem como não achar graça da vida, não tem como não celebrar.

Obrigada Arthurzinho, tu é a razão do meu 2013 mais feliz.

Feliz 2014 pra todos! Em especial para aqueles que, assim como eu, tiveram um 2013 que vai durar pra sempre! ∞

A primeira foto de 2013

A primeira foto de 2013

Sementinha

Sementinha

Primeira foto da barriga

Primeira foto da barriga

Ecografia de 11 semanas <3

Ecografia de 11 semanas ❤

Ecografia de 20 semanas

Ecografia de 20 semanas

<3

Chá de fralda

Chá de fralda

A última foto da barriga

A última foto da barriga

A chegada do Arthurzinho

Nosso primeiro abraço triplo

O sorriso mais lindo de 2013

O sorriso mais lindo de 2013

<3

Nosso primeiro Natal

Nosso primeiro Natal

A última foto de 2013

A última foto de 2013

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24 horas

Ser mãe exige 24 horas, exige uma semana inteira, um mês inteiro, um ano inteiro, uma vida sem intervalos, fim de semana ou feriado. Mas isso não é nenhuma novidade e logo que a gente descobre a maternidade já tenta se acostumar com a ideia de que tudo vai mudar. A gravidez já muda, mas nada se compara com a vivência desse dia a dia: exaustivo e cheio de recompensas.

No meu caso, eu vivo essas 24 horas praticamente sozinha, sem ninguém, sem babá, sem marido (que passa mais tempo trabalhando do que em casa), sem creche, sem vovó, nadica de nada. Não me acho mais mãe por isso, pelo contrário, nessas 24 horas de nós dois me pergunto várias vezes se tá dando tudo certo, afinal não dá tempo de focar em certo e errado, nessas 24 horas cada minuto é diferente e quase não dá tempo de ver as horas passarem.

Nesses 2 meses e 18 dias dessas 24 horas eu acabei aprendendo que não importa quantos livros de maternagem você leu, quantos grupos de pais e grávidos você frequentou, nem quantos super nanny você já viu e brigou vendo, nada disso faz sentido enquanto o ponteiro das horas caminha. Ser mãe 24 horas exige uma entrega sem fim aos instintos, exige desapego a tudo o que você sempre soube ou achava que sabia sobre crianças e até sobre você mesma.

Eu, Carolina, me descobri menos medrosa do que pensava, mais paciente do que jamais fui, mais amorosa do que talvez nunca mais consiga ser. Fiquei menos cheirosa e mais vomitada, menos arrumada e mais descabelada, fiquei menos falante e mais ouvinte, troquei as conversas prolixas por um simples “aguí”. Já chorei junto enquanto ele chorava e já me escondi no banho pra ser Carolina por mais 5 minutinhos, e antes que os 5 minutos acabassem eu já quis ele de volta e falei: “Pode pelar ele que eu vou dar banho aqui mesmo”.

Mas as 24 horas de mãe não são como as outras 24 horas, elas tem uma magia. Quando finalmente passam, pra que outras 24 horas comecem, fazem com que você esqueça como as 24 horas anteriores acabaram com você. É a incrível magia de só lembrar dos sorrisos, dos olhares, da cara de sapeca na troca de fralda, ou quando se esconde no seio no meio da mamada com um sorrisinho no cantinho da boca. Quando essas 24 horas passam, você esquece das tantas outras 24 horas que viveu antes da primeira vez que olhou nos olhos do seu bebê. Quando tento fazer o esforço pra lembrar só consigo me perguntar: “Como é que eu vivia antes mesmo?”.

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Ele tem G6PD

– Alô é a Sra. Carolina?

– Sim é ela, quem fala?

– Aqui é a fulana, do laboratório tal, eu estou com o resultado do teste do pezinho do seu filho, o Arthur.

– Ah sim, estou tentando acessar pela internet e não consigo ver o resultado.

– Pois então, o resultado apontou uma deficiência, nós vamos precisar refazer um dos testes pra confirmar e só então vamos poder liberar o resultado.

– Que deficiência???

– Eu não posso estar informando pra senhora, o teste é o G6PD, a senhora pode entrar em contato com o seu pediatra pra que ele explique melhor.

Meu mundo caiu, ali naquela hora, só consegui desabar e olhar meu filho que se mexia faceiro dentro do carrinho. Não sabia o que era o tal teste G6PD, nunca tinha escutado falar, só sabia que meu filho tinha uma “deficiência”. Olhava pra ele e não fazia sentido, com um pouco mais de uma semana de vida ele me parecia um bebê normal.

Queria matar a moça do laboratório. “Como assim, liga pra mim, diz que meu filho tem uma deficiência e não me explica nada, na maior frieza e falta de noção”. Ao mesmo tempo saí pesquisando sobre o tal G6PD, na hora do desespero, nenhuma informação parecia fazer sentido pra mim. Até que li “as vezes acusa quando o bebê está amarelinho na primeira semana, pode ser que quando repita o exame dê outro resultado”.  Arthur tinha ficado amarelinho na primeira semana, o teste de bilirrubina não chegou a ser tão alto a ponto que ele precisasse de fototerapia, tratamos com banho de sol.

Me tranquilizei, no mesmo dia refizemos o teste. O resultado sairia no dia 26 às 18h. Nesse dia pontualmente tentei acessar os resultados e não consegui. Não consegui também no dia seguinte, nem depois e depois. Briguei com o laboratório, rodei a baiana, até que me ligaram avisando que eu poderia ir buscar o resultado lá.

Hoje eu fui, sozinha com o Arthur. Peguei o envelope e vim pra casa, com medo de abrir. No caminho, angustiada, fiquei lembrando do momento em que eu o vi pela primeira vez, e como uma boba, contei os dedinhos dos pés e das mãos, como se aquela fosse a minha certeza de que tava tudo bem, tudo saudável.

Conversei com o Jaciel, disse que tava com medo de olhar, até que ele me convenceu, abri o envelope e tava lá o resultado que eu não queria ver. O número era baixo e não ficava entre os valores de referência. Ainda sei muito pouco sobre G6PD, sei que perto de tantas outras complicações que existem, a G6PD é moleza. Ao mesmo tempo, não deixo de me sentir sem chão.

Tudo o que eu sei é que a G6PD é uma deficiência enzimática, a mais comum no mundo, que afeta cerca de 400 milhões de pessoas. A G6PD é uma enzima presente em todas as células, e tem como finalidade auxiliar na produção substâncias que as protegem de fatores oxidantes. Ao contrário das outras células, os glóbulos vermelhos dependem exclusivamente da G6PD para esta finalidade. A deficiência pode ser encontrada em até 20% da população na África, entre 4% e 30% nas populações do Mediterrâneo, e no sul da Ásia. No caso, eu tenho descendência africana. A doença é genética e já foram identificadas mais de 440 variações do gene da G6PD, que está localizado no cromossomo X. Como os homens têm um cromossomo X e um cromossomo Y, um único gene anormal no cromossomo X herdado da mãe provoca a deficiência de G6PD.

Na prática, quem tem  deficiência de G6PD leva uma vida normal, tem seu desenvolvimento normal, mas precisa evitar determinados medicamentos, como a aspirina, sulfonamidas e quininos, alguns alimentos, como o feijão de fava, a soja e alguns corantes. Assim como quem tem alergia a alguma coisa. Quem tem G6PD pode não apresentar nenhum sintoma caso essas substâncias sejam evitadas, é como se elas fossem o gatilho pra doença, se utilizadas podem causar estresse oxidativo nos glóbulos vermelhos, que não tem a defesa da enzima, resultando em uma crise hemolítica (anemia) e icterícia (o caso do Arthur, logo que nasceu ele tomou vitamina K no hospital, que é dada pra todos os bebês, a vitamina K é uma dessas substâncias consideradas gatilhos). Além das substâncias, infecções bacterianas e virais também podem causar o aparecimento dos sintomas. Ou seja, toda a alimentação e a vida do Arthur vão precisar de um cuidado extra, dependendo do nível da deficiência enzimática dele (que a gente ainda não sabe qual é), pegar uma gripe ou tomar o medicamento errado pode gerar uma complicação muito grave. A lista de medicamentos e alimentos com essas substâncias é bem extensa, os alimentos me preocupam mais, afinal quase tudo tem corante e soja. Já a partir de agora, toda a minha alimentação vai ter  que ser diferente, evitando essas substâncias pra que nada passe pelo leite.

Apesar de já ter um pouco de informação, ainda não sei dizer como eu tô lidando com tudo isso, ainda não sei se entendi muito bem do que se trata. Só sei que meu dia acabou hoje, olho pro meu bebê e tenho vontade de chorar, me sinto culpada por ter “passado” esse maldito gene pra ele, embora eu saiba que isso é inevitável e não é minha culpa, está totalmente fora do meu alcance. Sempre ouvi minha mãe dizer que tinha o coração batendo fora do corpo, e a sensação é exatamente essa, quero proteger ele mais do que qualquer coisa no mundo. Coração de mãe sofre.

Ao mesmo tempo que me sinto triste e arrasada, eu sei que nada disso vai mudar o resultado, o que pode mudar alguma coisa agora é a minha força, a minha coragem, e a busca pelas informações. Quero saber tudo e mais um pouco sobre G6PD, quero decorar a tal lista de substâncias pra que nunca na vida dele ele passe por uma dessas crises de anemia.  Liguei pra praticamente todos os hematologistas de Porto Alegre, essa semana vou conversar com alguns deles e espero entender melhor do que se trata. Amanhã, temos consulta com a pediatra, espero que de lá eu já saia com mais informações do que tenho agora.

Se alguém tem filho com G6PD, ou conhece outras pessoas que passem pela mesma situação, por favor, entrem em contato comigo. Quanto mais ajuda e informações sobre o que fazer e como é a vida das crianças que tem, vai me ajudar muito.

Uma pausa pra babar

Sim, somos pais babões ❤

E gostamos de compartilhar a babação por aí.

Esse é o primeiro vídeo que fazemos do Arthur e esses são seus primeiros sorrisinhos, fora aqueles que ele dava quando tava pegando no sono.

27 dias de pura simpatia, mamãe ama!

Como tudo começou

Quando eu descobri que estava grávida em dezembro de 2012 fiquei em choque. Ser mãe sempre foi o meu maior desejo na vida, desejava tanto que chegava a dizer que se eu não conseguisse realizar isso, nada faria sentido.

Sou filha de pais jovens, minha mãe me teve aos 20 anos. Nossa relação é de muito companheirismo, amizade, parceria e amor. Eu sempre atribuí parte disso a nossa pouca diferença de idade. Por isso, filho pra mim era enquanto eu fosse jovem e ativa, queria ter essa mesma relação que tive com a minha mãe.

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Ainda assim, o choque na hora que fui verificar o resultado do teste de farmácia foi inevitável. Eu e Jaciel (vulgo maridón) morávamos juntos em um apartamento de um quarto, alugado. Eu trabalhava em uma agência de publicidade como produtora de conteúdo e começava a engrenar uma carreira com um salário meia boca. Ele trabalhava como diretor de arte em outra agência de publicidade e pela primeira vez com a carteira assinada.

Quando os dois risquinhos que indicavam o positivo conforme a bula do teste começaram a fazer sentido na cachola fiquei, obviamente, MEGA feliz. Era o sonho da minha vida, o resultado do nosso amor como casal, e sem dúvida alguma aquele era um momento pra ficar na memória pra sempre. Mas nem tudo são flores na vida do jardineiro né mesmo? Ainda tinha que descobrir como a gente ia fazer pra sustentar uma criança, onde a gente ia colocar um quarto de bebê naquele apartamento minúsculo e afinal de contas: a gente tava pronto?

Pois bem, muita coisa mudou desde então. Atualmente estou com 30 semanas de gravidez, estamos no mês de junho e o Arthur vai chegar em agosto, ou sejE, tá quase aí! De dezembro pra cá, nós conseguimos nos mudar para um apartamento maior, o baby já tem quarto, roupas pra vestir e a certeza de que ele jamais vai passar fome, frio ou qualquer necessidade.

gravidez

Eu parei de trabalhar e decidi me dedicar totalmente a gravidez. De todas as decisões que tomei durante esse tempo essa foi a MELHOR delas. Tive muito tempo pra colocar as ideias no lugar, planejar minha gravidez, meu parto e principalmente me encontrar no meio de um turbilhão de pensamentos e dúvidas que a chegada de um bebê provoca na gente.

Queria ter feito esse blog bem antes e ter divido todas as coisas que passei ao longo dessas 30 semanas de alegria e LOUCURA hehehe, mas espero que eu consiga recuperar o tempo perdido contando como tudo isso aconteceu, e ainda possa dividir com vocês a chegada do nosso reizinho e tudo que ele reserva pra nós daqui pra frente.

Então, declaro aberta a minha vida de blogueira materna!