24 horas

Ser mãe exige 24 horas, exige uma semana inteira, um mês inteiro, um ano inteiro, uma vida sem intervalos, fim de semana ou feriado. Mas isso não é nenhuma novidade e logo que a gente descobre a maternidade já tenta se acostumar com a ideia de que tudo vai mudar. A gravidez já muda, mas nada se compara com a vivência desse dia a dia: exaustivo e cheio de recompensas.

No meu caso, eu vivo essas 24 horas praticamente sozinha, sem ninguém, sem babá, sem marido (que passa mais tempo trabalhando do que em casa), sem creche, sem vovó, nadica de nada. Não me acho mais mãe por isso, pelo contrário, nessas 24 horas de nós dois me pergunto várias vezes se tá dando tudo certo, afinal não dá tempo de focar em certo e errado, nessas 24 horas cada minuto é diferente e quase não dá tempo de ver as horas passarem.

Nesses 2 meses e 18 dias dessas 24 horas eu acabei aprendendo que não importa quantos livros de maternagem você leu, quantos grupos de pais e grávidos você frequentou, nem quantos super nanny você já viu e brigou vendo, nada disso faz sentido enquanto o ponteiro das horas caminha. Ser mãe 24 horas exige uma entrega sem fim aos instintos, exige desapego a tudo o que você sempre soube ou achava que sabia sobre crianças e até sobre você mesma.

Eu, Carolina, me descobri menos medrosa do que pensava, mais paciente do que jamais fui, mais amorosa do que talvez nunca mais consiga ser. Fiquei menos cheirosa e mais vomitada, menos arrumada e mais descabelada, fiquei menos falante e mais ouvinte, troquei as conversas prolixas por um simples “aguí”. Já chorei junto enquanto ele chorava e já me escondi no banho pra ser Carolina por mais 5 minutinhos, e antes que os 5 minutos acabassem eu já quis ele de volta e falei: “Pode pelar ele que eu vou dar banho aqui mesmo”.

Mas as 24 horas de mãe não são como as outras 24 horas, elas tem uma magia. Quando finalmente passam, pra que outras 24 horas comecem, fazem com que você esqueça como as 24 horas anteriores acabaram com você. É a incrível magia de só lembrar dos sorrisos, dos olhares, da cara de sapeca na troca de fralda, ou quando se esconde no seio no meio da mamada com um sorrisinho no cantinho da boca. Quando essas 24 horas passam, você esquece das tantas outras 24 horas que viveu antes da primeira vez que olhou nos olhos do seu bebê. Quando tento fazer o esforço pra lembrar só consigo me perguntar: “Como é que eu vivia antes mesmo?”.

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