Sobre nós, mulheres

Eis que chego na 39ª semana de gestação, estou cada vez mais com os sentimentos à flor da pele e por isso decidi escrever esse post, finalmente. Há tempos eu vinha refletindo sobre o poder feminino, as nossas relações como mulheres, e agora na gestação tudo isso ficou mais claro e intenso.

Até porque acredito que este seja um dos momentos mais plenos na nossa trajetória feminina. Entendo que para muitas a maternidade não seja algo que desperte tanto interesse, mas de certa forma, viver esse momento, seja pessoalmente ou acompanhando uma amiga querida, é fundamental para o nosso reconhecimento como mulheres.

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O assunto rende muitas reflexões, nosso lugar na sociedade, nossas inseguranças, nosso universo tão único e particular, etc. Eu sempre tive amigas, confesso que não muitas, sempre 3 ou 4 por vez, bem próximas, em diferentes momentos da vida. Quando era criança era mais próxima de determinado grupo, depois outro na adolescência, nos cursos da faculdade e assim por diante. Conforme as circunstâncias da vida, eu ia me distanciando de umas, me aproximando de outras.

Tenho a sorte e a alegria de ter conservado muitas dessas amizades, que perduram até hoje, cheias de carinho, não importa o quanto o tempo passe, sempre que nos vemos é único. Ao mesmo tempo, durante a minha vida também tive alguns desafetos femininos. Dizem que a gente tem uma tendência incrível pra criar barreiras entre nós mulheres. Sempre fiquei irritada quando surgia aquela piada “coloca um grupo de homens sozinhos em uma sala por 10 min e eles ficam amigos, aí tu coloca um grupo de mulheres dentro de uma sala sozinhas por 10 min e todas vão se odiar”. Tinha vontade de dizer “que grande b***”, mas as experiências que eu tinha durante a minha vida toda me faziam aceitar esse tipo de afirmação, afinal, eu não gostava de algumas mulheres sem nem saber dizer a razão.

Finalmente, hoje, eu tenho a certeza de que posso começar a dizer “que grande b***” pra essa piada sem graça, classificatória e bem machista. Nós somos sim capazes de ficar 10 min em uma sala sozinhas e sair aos risos e abraços.  É só acreditar na nossa força, na nossa união, acreditar que nós somos sim muito parecidas umas com as outras ao mesmo tempo que somos maravilhosamente diferentes. A gente tem dúvidas, medos, agonias, alegrias, conquistas, que as vezes só podem ser dividas entre nós, mulheres. Nós precisamos umas das outras.

Durante esse período de gestação eu me aproximei de muitas mulheres, algumas que eram conhecidas, amigas distantes, amigas presentes, até mesmo alguns desafetos que viraram afetos, além de todas as mulheres que conheci nos últimos tempos. Eu nunca tinha sentido tamanho amor pelas mulheres, nunca me senti tão acolhida e apoiada, nunca tinha me sentido tão importante pra alguma amiga como hoje eu me sinto, e nunca tinha tido um grupo tão grande de amigas, que não se separa por circunstâncias da vida. Cada janelinha de conversa no meu facebook, cada mensagem no celular, cada e-mail dos últimos tempos tem um nome feminino que agora me completa mais. E aí eu descobri uma palavra que explica todo esse sentimento, toda essa união: Sororidade. Significa a irmandade entre mulheres, numa relação de sororidade somos espelhos umas das outras, o que nos permite reconhecimento, apoio e compreensão.

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Praticar a sororidade é recuperar esse sentido de irmandade que foi perdido, somos instigadas a rivalizar durante toda a nossa vida, estamos inseridas em uma sociedade patriarcal, que por tantas vezes nos oprime como mulheres. É revigorante ir contra a maré, eu venho espalhando a sororidade por aí, pra ver se mais mulheres se juntam pra que ela faça parte da nossa vida cada vez mais, nos ajude a mudar o mundo, e que não seja corrigida nesse maldito editor de textos como “sonoridade” o tempo todo.

Enfim, escrevi tudo isso pra agradecer. Como eu disse, esses últimos dias têm sido muito intensos, um período de muita reflexão, de emoção, por isso, obrigada amigas, irmãs, por serem tão maravilhosas e me cercarem de apoio e amor, em especial nessa reta final, tenho recebido muitas palavras que me fortificam pra viver o meu parto, receber o meu filho, enfim, ser mãe e mais mulher do que nunca!

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Suas definições de gravidez foram atualizadas

Pois é minha gente, eu sumi daqui. Mas eu juro que tenho motivos pra isso! Entre eles alguns bons e outros bem ruins, tipo preguiça, mas agora pretendo atualizar tudo.

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Então, a foto é da semana passada, agora estamos com 37 semanas de Arthur e algumas coisinhas mudaram nesse terceiro trimestre. Ontem tive uma consulta e nosso querido xuxuzinho (apelido carinhosamente e espontaneamente escolhido pelo papai) está encaixadinho de cabeça pra baixo <3. Ele ainda não definiu se fica viradinho pra direita ou pra esquerda, mas ele ainda tem tempo. Enquanto ele não decide, euzinha, mamãe, sofro com essas cambalhotas toda noite, é um tal de vira pra lá, vira pra cá, e por isso eu tenho ido dormir às 3h da manhã. Realmente, dormir não está sendo fácil, é a movimentação, é a minha respiração (ou falta de), o tamanho da barriga incompatível com o meu espaço na cama e aquela vontade louca de xixi a cada uma hora.

No meio de todo esse reboliço noturno, sinto apenas pena do marido que levanta todo dia cedinho pra trabalhar, eu por sorte, consigo dar uma dormidinha de tarde ou de manhã quando o Arthur dá um descanso na barriga. Em geral, tô perdendo meu dia dormindo ou perdendo o meu dia ficando mal por não dormir.

Além da movimentação do xuxuzinho, o terceiro trimestre reservou pra mim um pequeno flashback do primeiro trimestre. Estou de novo mais afim de ficar na minha, quietinha, dando atenção pro meu bebê na barriga, me sinto mais cansada e definitivamente mais pesada. A gente andava num “corre corre” aqui em casa, era obra e uma onda de compromissos de visitas, saídas, etc. Então desde o fim de semana passado eu senti que não dava mais pra continuar nesse agito, comecei a sentir dores no corpo que não tinha, me vi sendo mais chorona e sensível de novo, e tive até alguns enjoos, parei pra pensar nas coisas e decidi que não faz sentido manter um ritmo desses logo na reta final.

Sim, reta final! Quando eu descobri que tava grávida achava que o mês de agosto jamais chegaria e que 37 semanas era algo tão tão distante. Hoje eu olho pra trás e vejo que até agora tudo passou muito rápido, juro que já tô com saudades antecipadas dessa gravidez, é uma mistura de sentimentos, uma montanha russa. Adoro sentir que eu e o Arthur compomos esse ser grávido e que dividimos o mesmo espaço por todo esse tempo, é um amor sem fim, correspondido por cada “chute”, logo essa fase acaba e não tem mais volta (imagino que essa seja a primeira saudade de muitas que virão). Ao mesmo tempo, não aguento mais a curiosidade, quero ver, cheirar, beijar, tocar, e não me desgrudar dele, quero dividir logo a presença dele com o Jaciel, com as nossas famílias e nossos amigos.

Estamos com tudo pronto, a espera da chegada do Arthur. Quartinho organizado, roupinhas lavadas e muito amor no coração. Apesar dessa curiosidade e da ansiedade natural estamos bem tranquilos. A minha maior preocupação nos últimos tempos era não ter a casa pronta, preparada pra receber um bebê, uma vez que isso foi resolvido eu consegui finalmente relaxar, então, agora que a ficha resolveu cair de que estamos no último mês e que no máximo até o fim de agosto ele estará aqui, e aí eu me sinto assim ó:

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Enfim, tô com tanta coisa pra falar que vou precisar organizar as ideias pra voltar a atualizar com mais frequência, PROMETO.